Uma voz me pedia calma e a buscava em algum canto na consciência, no coração e na respiração, através da qual, eu praticava pouco tranqüila, com a boca aberta atrás de fôlego, um sopro; um suspiro carregado de desgraçada incerteza, “Calma?! Acha mesmo que devo ter calma?”. Olhava olhos atônitos projetados para fora de suas covas, com o horror arregalado nas retinas. Cintilava o brilho da faca.
            Eu sentia o suor escorregar às têmporas; a gota de sangue rolar do supercílio esquerdo, marcando um traço rubro na face, resultado de um soco. Espremia o cabo da faca na mão. O coração se arrebentava aos pulos e despirocava o sangue pelas veias e artérias de todo o corpo nervoso.
            “Isso é necessário?”, houve um movimento quase desconexo de lábios colocando em questão o meu ato, “Isso é absurdo!”
            “Sim. É!”, sim; e porque eu achava a traição um absurdo, me coloquei em posição ofensiva: o braço erguido era o direito.
            Não haveria salvação. Eu desceria fatalmente o braço, a mão, a lâmina, em alta velocidade; curso diagonal, cuja finalidade era, claramente, enterrar no peito, a faca — de forma brutal, para todo o metal desaparecer na carne. Mas, antes, à madeira da porta reverberou três passivos murros.
            Volvi para ela a cabeça. O pouco fôlego desapareceu afogado na apreensão. Pelo girar da maçaneta expirava a minha revolta. E, em curtos passos, eu me dirigi ao olho-mágico. Calma e cautelosamente.

 

_- PoeSia -_

Quando ouvir o ser aleatório lançar campanhas entre as alamedas.
Seus shows banners filipetas persuadindo esperanças fracassadas & esforços. Balançando em estampas em silk em camisetas queira entender o movimento quase compulsório.

Mas que alguns de nós sejam sons & barulhos. Que não tenhamos o orgulho da massa, o toque daquelas mãos, ademais, os seus pés o seu passo o seu tempo-propósito.
 
Porém o ritmo que nos acompanhe.
O limite que seja-nos simplesmente o espaço.Que seja-nos feito a amplidão do espaço.
Para que os nossos sonhos não sejam varridos entre os panfletos do dia seguinte.

 

Retomando o blog há tempos desamparado de mim.
Relembrando o que alguns comentavam, ou melhor questionavam, sobre a Cléu, eu estarei disponibilizando os textos dela depois, para quem conhece rever e para quem não a conheceu poder conhecê-la.

Um abraço a todos!

 

 

 


Escrito por O Basílio às 02:36:06 AM
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sobretudo ainda descendo dos meus sonhos. porém
como desarranjar este ainda não
que me persegue? este
incansável inflexível homem
de sentimentos & idéias
cabulosas de meu corpo?

diz-me: cansa-se ?
outra vez me debruço
meus olhos se fecham
como o peito se fecha
como quereres mostrando as costas
como formas tácitas
de dizer não:
de dizer ainda não.


Escrito por userID: 41214165287firstName: Isac às 03:36:00 PM
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todos os poetas já foram devorados um dia
também serei ou já tenha sido

minhas pernas minhas vontades
a estas elas não correspondem já
meu braço esquerdo se debruça por
aquelas coisas que não são minhas
meu braço direito dá-se pelas coisas
não minhas como se fossem eu

nas aparições ordinárias estão meus olhos
cobrando sua autonomia: quero ver isto quero
ver aquilo outro (onde
não apareço já que por imaginoso
não caibo ? sou engrupido
) me enxergam onde não estou
como -eu-

escuto meus ouvidos em notas populares
em repetições de batidas iguais & módicas ?
a moda mais comum exige mais vaidade do corpo:
eu sou um magrelo que não sabe dançar

nos dentes dos outros
rasgam-se as camisas as calças as blusas
que nunca vão alcançar
destaque nos cabides das magazines ? nestes
é que me visto eu ? estes
dentes cerraram minha pele & minha carne talvez. (
talvez eles me estourem

). meu coração meu pensamento: os
deterei nas minhas palavras

a TV diz que meu corpo
já não é mais meu.



Escrito por userID: 41214165287firstName: Isac às 03:04:00 PM
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é carne & osso: você
do mesmo que sou eu ? esta
iviolabilidade que nos atinge
sempre atingirá a todos que não
são feito as pedras ? a

fenda que abre uma lâmina em nós não
terá a mesma abrangência? como
a bala -o dasarrazoado metal- na sua viagem
nos trataria com particular distinção? o roxo

que o soco provoca o surgimento ou
aquela costela que a pancada rompeu: as dores
nos atordoarão de diferentes formas?

nossos -ais- não são iguais?

se uma chama há & tem
vigor a mais que uma outra chama
não existe aqui um fenômeno porém?
fogo ? queima em nós pois
sujeitos fomos a esta mesma fragilidade: o que
me queimou
porque te levaria uma atenção desigual?

a germinativa a camada de Malpighi a camada granulosa
a lúcida & a córnea não resistem em mim
como em você também resistem?
são os mesmos conflitos-da-pele que
existem em nós. essa

estrutura plástica dinâmica -com casca- & viva
compõe-te também & no combate
rompe-se com o mesmo sofrimento: o esqueleto.

porque seu sangue
não é vermelho como o meu? da ferida
não vaza & embebe minhas roupas
como as tuas?

porque:
não sou tão imortal quanto você?


Escrito por userID: 41214165287firstName: Isac às 12:54:00 PM
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